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O Linguarudo

Orgulho de ser brasileiro, mas sobretudo carioca, um estado de espírito, um estilo de vida, nascido em Madureira no Rio, capital do samba, flamenguista e Beija-Flor de Nilópolis; sincero, franco, sem papas na língua, marrento, fala o que sente na lata

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O Linguarudo

08
Jun12

Ornamentos do século XIX estão de volta à Região Portuária

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Quatro estátuas de deuses gregos (Minerva, Mercúrio, Ceres e Marte), que ornamentavam o Cais da Imperatriz, foram restauradas

 

 

A chegada dos deuses gregos é um sinal de que o Jardim do Valongo, no Centro da cidade, está quase pronto para abrir as portas novamente à população carioca. As quatro imagens de Minerva, Mercúrio, Ceres e Marte já estão no local de onde saíram no final do século passado. “Foi um dia especial quando retornaram as quatro estátuas que pertenciam a esse jardim”, comemora o subsecretário de Patrimônio Histórico, Washington Fajardo.

 

É o capítulo final da saga carioca dessas divindades gregas. “Essas estátuas têm uma história muito interessante. Elas ornamentavam o Cais da Imperatriz, feito em 1843 para a recepção da Imperatriz Teresa Cristina, que chegava ao Rio de Janeiro para casar com Dom Pedro II. É um cais festivo, de celebração, que foi feito em cima do Cais do Valongo, que era o cais da escravidão”, conta Fajardo. Com o passar do tempo, ambas as construções foram aterradas. “No período da República, em 1906, quando foi concluído esse jardim, o cais que havia foi mais uma vez aterrado para se fazer a Praça Municipal, muito próxima da feição que ela tem hoje”, prossegue o subsecretário.

 

Foi quando as estátuas originais em mármore de carrara saíram do Cais da Impetariz foram para o Jardim do Valongo, onde ficaram até o final do século passado. “Acho que foi o período de maior degradação dessa área e as estátuas foram vandalizadas. Por isso houve a decisão de tirar as originais e colocá-las no Palácio da Cidade. Foram produzidas, então, réplicas perfeitas em argamassa armada com revestimento em pó de mármore. Elas têm a feição idêntica às estátuas originais e estavam só aguardando a hora de voltar para o Jardim do Valongo”, destaca Fajardo.

Agora, de frente para a Rua Camerino, elas já estão devidamente acomodadas e, imponentes, marcam a revitalização da área. Washington Fajardo comemora. “Hoje, a recuperação do Jardim do Valongo é uma realidade. E muito em breve a população vai poder voltar a usufruir desse espaço, apreciar este jardim fantástico, visitar a Casa da Guarda. Tem também o restauro do mictório, que fica ali em baixo.” A revitalização da área e das estátuas é o sintoma mais visível de um conceito que tem permeado as atividades da Prefeitura. “É muito importante nesse momento, olhando pro futuro e para essa reconstrução e requalificação da cidade, que a memória e o patrimônio cultural apareçam de maneira tão contundente, sendo recuperados e reabilitados”, vibra Fajardo.

 

Para o subsecretário, o retorno das estátuas é representativo do resgate do princípio de que a beleza e a qualidade do espaço público são fundamentais. “Foi isso que motivou a realização de um jardim em cima de uma obra de contenção no passado. Esse é um valor que passa pelo tempo, mas num dado momento se perde pela degradação de toda essa área”, lamenta Fajardo, que conta que a região virou local de concentração de população de rua e consumo de drogas – “a mazela do crack estava aqui presente”, lastima.

 

 

Mas os novos tempos trazem novidades do passado, como faz questão de ressaltar o subsecretário. “Trazer de novo essas estátuas pra cá é emblemático da função que a beleza tem na qualidade do espaço público. As estátuas mostram claramente que o Porto hoje é o coração da cidade do Rio de Janeiro. De uma certa maneira, esperamos que Minerva, Mercúrio, Ceres e Marte – que os deuses gregos – venham abençoar essa recuperação.”

 

Fonte: CidadeOlimpica.com

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